segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Olímpicos


Com quatro dias de Jogos Olímpicos, posso dizer que a única coisa que me aborrece é mesmo a diferença horária. Vou tendo um site com as imagens em directo abertas, mas só dá para ir vendo de tempos a tempos. Pior que isso, a natação parece que tem as suas finais só de manhã, o que implica a madrugada europeia. Não sei se será melhor para os atletas, mas é chatito para os espectadores. Azar nosso.

O Phelps vai-se preparando. Para já, dois ouros e dois records do mundo. Faltam seis ouros e, talvez, outros tantos records do mundo. Vai quase de certeza ser a figura dos jogos.

O jogo de basquetebol entre a China e os EUA foi giro de se ver. Bastava os americanos fazerem pressão sobre os bases e lá se iam os chineses por Yang-Tse abaixo. Vê-se que a sua força está no jogo organizado, usando o Yao Ming para atrair as atenções. Já os americanos que se preparem, que caso não joguem um bocadinho mais como equipa, não se safam contra a Espanha ou contra a Grécia.

Estive a ver o jogo dos EUA contra a Holanda e fica-me uma dúvida: quem foi a esperteza saloia do Benfica que deixou o Adu ir de empréstimo para o Mónaco este ano? Outra nota sobre o jogo: se os americanos conseguirem ser um pouco menos ingénuos, podem levar a medalha de ouro. É que numa competição nesta altura da época, o essencial é a condição física e essa, têm-na os americanos aos molhos. E talento não lhes falta. Vejam-se os marcadores dos golos.

Falar dos portugueses é doloroso. A Telma Monteiro fala em arbitragens e diz depois que não quer usar desculpas. Paciência, já o fez. O esgrimista tinha esperanças em medalhas. Os outros judocas parece que também. Os tipos dos tiros idem. É pena que os portugueses sejam bons nestes desportos quando se trata de competições europeias e mundiais, onde ninguém lhes liga. Quando recebem atenção por serem os jogos olímpicos (uma medalha de atletismo vale tanto no quadro quanto uma de tiro aos pratos, não é verdade?) vão-se logo abaixo. Está na hora de os fazerem compreender uma coisa: não interessa que ganhem medalhas, mas apenas que se exibam ao seu melhor nível e que se superem. Só que predomina o amadorismo. Isso viu-se com o Tiago Venâncio que andou a nadar com uma barba mal aparada. O Phelps corta o bigode dele para ganhar qualquer pintelho de tempo que seja, mas o Venâncio mantém-se como está. Traz-me à memória o Lázaro e o sebo. E depois queiram medalhas. Valham-nos os portugueses adoptados que não ligam a desculpas e dão o que têm e não têm.

Agora são mais duas semanitas. Espero ver um pouco mais de natação, uns joguinhos interessantes no basquete, um tudo nada de ginástica e, claro, o atletismo. E divertir-me.

Adenda das 13:30 - Pedro Oliveira mostrou aquilo que deve ser feito e bateu o seu próprio record português por mais de um segundo. É para isso que se vai aos jogos. Ainda assim, e ainda andando pelo amadorismo, apenas rezo para que a foto que aí está em cima (e que retirei desta notícia do Público) não tenha sido tirada em Pequim. Se foi, pergunta-se quem é o idiota que deixa nadadores de alta competição entrar na piscina de barba e pêlo corporal (peito e sovacos) que pode aumentar o atrito e, pior que tudo, deixa os nadadores competir com aqueles calções e, já agora, o que me parece ser um fio no pescoço do Pedro Oliveira. Lázaro, ao menos, ainda pensou no que estava a fazer. Mal, mas pensou.

3 comentários:

Ana disse...

As finais são de manhã porque os estados unidos ofereceram uma brutalidade de dinheiro pelas emissões, para acompanharem o menino foguete.
Os portugueses na natação até estão bastante bem, não se pode esperar melhor de um pais que tem 4 piscinas olimpicas e apenas duas delas são cobertas. Pedro Oliveira até que nadou bastante bem, bateu um record com 10 anos, do melhor nadador português. A Sara Oliveira esteve a centesimos de uma marca que desse acesso às meias-finais, e bateu dois records nacionais. Portanto acho que não podes criticar muito a natação portuguesa.
Já agora, a foto não foi tirada agora, pois não nos qualificamos para as provas de 4x200 livres.
Quanto ao judo, as expectativas estavam demasiado elevadas para uma Telma Monteiro que não tem ido a provas internacionais devido a lesões e que perdeu o treinador de sempre há uns mesitos. Em todo caso pontuamos no judo, até agora a única modalidade em que pontuamos.
Espero agora ver os remadores, que parece que se estão a superar, não conto ve-los nas finais, mas parece que ninguém lhes deu o devido valor no inicio.
Vai ser também engraçado ver a canoagem, com o Emanuel e a Teresa Portela, dois putos que se têm superado bastante.
O atletismo é sempre a grande competição. Resta saber se eles vão conseguir fazer alguma coisa.
Ah, a vela, é neste desporto que eu acho que vamos trazer duas medalhitas.

JSA disse...

Por acaso a foto é de agora, porque atrás deles vê-se a inscrição "Beijing 2008".

Quanto à hora matinal, pergunto-me se isso terá a ver com algum estudo que tenha determinado que os nadadores estarão mais capazes de bater os recordes do mundo de manhã por estarem habituados a acordar cedo para treinar. Se já fizeram a piscina mais funda para que seja mais rápida, não me admiraria nada. mas se calhar tens razão.

Quanto aos portugueses, na minha adenda falo do Pedro Oliveira (não falo da Sara Oliveira porque escrevi isto ontem). Mas mantenho o que disse antes. Espero que os portugueses se exibam ao máximo que possam. Se não ganharem nada paciência, não ganham. Agora não venham é com desculpas. O João Neto, que foi até ao 9o lugar, teve a atitude correcta: disse que tinha ido por medalhas mas que os outros também e que tinha perdido. Paciência. Ao menos não falou de arbitragens.

Mas o que não se pode negar é que temos sempre carradas de portugueses que chegam aos Jogos Olímpicos com estatuto de campeões de sei lá o quê e acabam bem aquém das medalhas. Por esta altura, com a carrada de campeões disto ou daquilo que mandamos (especialmente nas amadoras) já deveríamos ter mais umas medalhitas. O Nuno Delgado, que tem a única medalha olímpic no judo, não era candidato a elas, se bem me lembro. Talvez seja isso o necessário, não se assumirem a nada. Depois saem umas surpresas. É o factor Sérgio Paulinho, que deve ter sido o medalhado português mais sortudo de todos os tempos.

Ana disse...

A foto é de um torneio que decorreu nas piscinas olimpicas de pequim, torneio de testes e preparação.